Vídeo de minha ação pedagógica

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Resumo Unidade I

RESUMO:




POR QUE O PRAGMATISMO? IMAGINANDO NOVAS FORMAS DE ENSINO DA ARTE.



Como perspectiva filosófica para abordar os desafios da educação artística atual e repensar uma renovação da mesma, o pragmatismo possui um caráter antinormativo e uma posição crítica ante a ditadura do método e sua nula pretensão de ser um modelo de explicação da realidade.

Uma perspectiva pragmatista nos força manter alerta diante do conhecimento já estabelecido e olhar sem medo para uma mudança de paradigmas. Dewey e Shusterman nos mostram que cada teoria da arte é uma resposta intelectual a determinadas condições socioculturais e às perplexidades diárias, nos convidando a soltar as amarras conceituais e ir em busca da teoria da arte que corresponda ao nosso tempo. São várias as idéias que podem ser uma sentinela para se repensar o ensino da arte:

1- A impossibilidade da verdade.

2- O uso da dialética como forma de construção de conhecimento.

3- A idéia de arte como experiência



A arte como experiência e relato aberto.



“Para começar, é preciso tirar a arte e suas obras da dimensão transcendental onde a tradição moderna as colocou - o que Dewey descreve como ‘a concepção museística da arte” ou a "idéia esotérica de Belas Artes". Diante da tradição acadêmica, que considera os trabalhos artísticos como obra e os organiza em discursos. Acredito que seja mais adequado conceber as produções artísticas como relatos abertos à investigação criativa. Proponho que a abordagem da obra de arte seja feita, não como uma mensagem cifrada que podemos desvendar, mas como um resumo de experiências que podem ter infinitas interpretações, pois a essência e o valor da arte não estão na obra em si, senão na atividade experimental através da qual essa obra foi criada e é observada ou utilizada.

Conceber as obras de arte como relatos abertos pressupõe:

- Neutralizar seu caráter elitista (Greene,2005), vivenciando-as como exemplos de experiências estéticas que alcançaram um grau de consenso social que as tornaram aceitas pela maioria.

- Experimentá-las em seu contexto histórico e cultural, e não como elementos isolados,aceitando que seus significados podem mudar com a mudança dos hábitos e realidades que influenciam nossas experiências.Compartilho com Rorty "a idéia de que todas as práticas culturais, que na história tem pretendido ser resultado de uma evolução da lógica e da razão, podem ser repensadas como distinções entre conjuntos de práticas de existência contingente ou estratégias empregadas dentro de tais práticas". Isto implica reescrever a própria história da arte,que deixaria de ser concebida como uma sucessão de momentos classificados por estilos, fechados e em uma sucessão de momentos classificados por estilos, fechados e em uma progressão lógica, para ser vista como uma sucessão de jogos metafóricos.

-Compreendê-las em termos de experiências de vida (Dewey,1934), tratando-as como tecidos de crenças e desejos. Assim, a obra de arte não faz mais do que desenvolver e acentuar o que é significantemente valioso nas coisas que apreciamos diariamente.



Efetivamente, conceber as práticas artísticas a partir deste ponto de vista e, com ele, recuperar a união da experiência estética com outros processos vitais, também tem conseqüências que afetam nossas concepções educativas. Para Dewey, cobrar essa continuidade entre a experiência estética e a vida, é uma forma de romper com a "concepção fragmentada das belas artes". Com isso, segundo Shusterman, Dewey não apenas destruía as dicotomias arte/ciência e arte/vida, como também insistia na continuidade fundamental de um conjunto de noções binárias e distinções genéricas tradicionais, cuja oposição e contraste amplamente assumidos estruturaram grande parte da filosofia estética.



Um dos dilemas mais vivos do ensino da arte atual é a delimitação do campo de estudo. Certamente, buscar a continuidade da experiência estética com outros processos vitais traz como conseqüência que nos vejamos agradavelmente encorajados a ampliar nossos campos de estudo para, todos os produtos artísticos geradores deste tipo de experiência, sejam eles das belas artes, das artes populares ou da chamada cultura visual.



O diálogo com a cultura visual.



Os estudos de cultura visual abriram o foco dos pesquisadores de arte para formas culturais muito mais vitais para a experiência estética da maioria da população contemporânea. Segundo Shusterman, “o projeto pragmatista para a estética não é abolir a instituição da arte, e sim transformá-la". E pretende fazer isso de duas maneiras: primeiro,abrindo para a inclusão de outras formas de produção estética. Em segundo lugar, porque "precisamos de uma maior abertura para os meios pelos quais a grande arte pode promover uma agenda ética e sociopolítica progressista". O que faz de um estudo algo alternativo e distinto é o olhar que projetamos sobre essas formas culturais da experiência, e para esse olhar, nenhuma forma de arte é insignificante. Não são os objetos de estudo que devem enfrentar-se, mas os modelos pedagógicos com os quais os abordamos. Antes, cultura visual e outras formas de cultura estética podem compartilhar o mesmo espaço educacional. O problema não esta no objeto de estudo, e sim no uso que fazemos dele.



Diálogo com a arte popular.



Projetos de integração entre a vida cotidiana e as expressões artísticas populares, como as de Picasso, Duchamp, os surrealistas ou os performáticos, não apenas não permitiram que se fechasse a lacuna, como aprofundaram as diferenças entre os usuários das artes eruditas e populares. Shusternam disse que quando a arte erudita se opõe à arte popular, surge um elemento configurador de um novo cenário para o rompimento desta hegemonia cultural e a transformação da concepção de arte que dominou durante séculos. Temos assim, a arte popular completamente inserida no debate da estética contemporânea.



Heliana J. Peres

Nenhum comentário:

Postar um comentário